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14 de novembro de 2011

Lembranças ao vento

Bom, sempre venho aqui escrever, na tentativa de compartilhar experiências vividas ou lidas
Mas hoje serei franco e logo afirmarei que hoje vou falar de mim, por mim
Não pretendo fazer um balanço do ano de 2011, até por ainda ser cedo para tal
Mas não posso deixar de olhar para trás e perceber que de janeiro para cá, eu e minha família saltamos muitas muralhas, atravessamos desertos castigantes e as ondas do mar agitado adentraram nossa casa
Confesso que foi muito difícil e a vida não nos poupou de outras surpresas desagradáveis, pelo contrário, elas se multiplicaram e uniram forças, se tornaram gigantes
Pois bem...
Hoje, segunda-feira 14 de novembro véspera de feriado fui caminhar como de costume
Era fim da tarde e o sol brilhava majestoso, os pássaros cantavam alegremente
Logo ao colocar o pé na calçada e ao olhar em direção ao mar, percebi uma nuvem grande, que se estendia de um cato a outro de Manaíra, Tambaú e Cabo Branco
Atrás de mim o sol brilhava e a minha frente havia chuva e sobre a cidade um belo arco-íris
Sem hesitar decidi continuar minha investida e aposta pela caminhada
Fui surpreendido pela beleza da natureza
Ao voltar meus olhos para o final de minha rua, onde moro
Um cenário magnífico, lá o sol brilhava, mas havia uma cortina viva de chuva
Um espetáculo aos olhos, um dia ensolarado, fim de tarde, céu laranja e a chuva graciosa e suave molhando o chão da minha cidade
Alguns pingos caiam sobre mim, “tingindo” minha roupa
Para minha surpresa sobre o mar estavam às nuvens de chuva e sobre o mesmo mar os raios de sol se estendiam por debaixo das nuvens
O mar verde e muito iluminado refletia a luz do sol sobre os transeuntes que estavam no calçadão
Caminhei como planejado e ao fazer o caminho de volta fui surpreendido por uma ligação que resgatou em mim várias lembranças adormecidas há pouco tempo
Decidi não atender a ligação e logo o bramido do mar em sua maré alta, me roubaram a atenção
Então, decidi parar e ouvir o mar
Ele tinha algo a me falar
Decidi para e ver o céu
Ele tinha algo a me mostrar
As ondas num balé clássico iam e voltavam
Espalhando sua espuma sobre as areias da praia
Ora molhando o calçadão
Percebi que as águas do mar levavam consigo riscos deixados na areia
Havia traços deixados
Havia nomes gravados
Havia palavras escritas...
Por alguém que ali passou
O que mais me cativou naquele instante foi a natureza exuberante
O dia virava noite ainda
E resquícios do sol coloriam parte do céu quase todo já escuro
Uma face do céu já estava negro devido à noite
Mas outra parte do céu estava pouco alaranjado, devido ao sol que havia se despedido
Algumas poucas estrelas brilhavam com suavidade
E o mar com naturalidade apagava e levava da areia as lembranças e as marcas deixadas por alguém que ali havia passado
Pois bem, alguém passou por mim...
Alguém já passou por sua vida?
Pois é meu caro, minha cara; há lembranças que nós apenas não devemos querer, mas precisamos apagar
Há lembranças que ficam melhor deixadas na areia da praia, entregues ao mar, ao tempo, ao vento, deixadas ao relento da noite
Há lembranças que nós não devemos cultivar
Há algo que você identifica e que gostaria ou mesmo sem gostar precisa apagar?
Vá até o mar, num fim de tarde e com muita naturalidade, deposite no chão as lembranças que você quer abrir mão
Há espaços no nosso passado que precisam ser apagados
Simplesmente deixados para trás, no passado
Há lembranças no nosso coração que precisam ser deletadas
Há paz no meu coração
Estou me desfazendo daquilo que um dia tentou me roubar de mim
Com paz no coração e inteireza de alma
Estou abandonando lembranças que gritam e dizem estar vivas
Mas na verdade não me trazem vida agora
Depositei ao chão as lembranças de um momento que não existe mais
Não se vive só, numa relação
Não se luta só por uma história escrita por dois
Não se ama só, por toda uma eternidade
Não podemos abrir mão de nossos sonhos
 Então, sem medo, sem arrependimentos, pois não há motivos para tê-los
Sem tropeços, sem carências, sem sofrimento
Quando o fim chega, o tempo fala por si
É tempo de andar só
Não é tempo para mim de estar em dois
Há um tempo que chamo de solitude
Não entenda como solidão
Mas é um momento nosso com o universo
É um retorno à nossa alma
Estou voltando para mim
Quero estar inteiro
Um abraço afetuoso e um beijo de paz
Deus nos abençoe com graça e bondade
Que a luz do amor próprio ilumine nossos dias e fortaleça nossa alma
Uma semana de paz aos meus queridos leitores ou leitoras e amigos ou amigas
Lembranças deixadas no chão, coração em paz